varal de idéias


*A ENTREVISTA (2° Capítulo)

Chegada a hora de ir trabalhar, Heloísa era só riso. Sua única incerteza era sobre o que usar. Vestia-se muito bem, mas só pensava em impressionar Daniel, e fazê-lo notá-la era o grande desafio daquela manhã já que não sabia como chamar sua atenção.

Os primeiros dias na redação trascorreram cheios de novidades. Helô que sempre deu importância às coisas simples da vida, manifestava toda sua alegria ao almoçar fora com os amigos, e até mesmo ao viajar de ônibus à caminho do trabalho ou à procura de lugares e histórias para contar. Na agenda, reuniões de pauta, entrevistas, shows e eventos.

O que mais poderia fazê-la feliz? Viver entre leads e deadlines sempre foi seu sonho e em muito pouco tempo tornou-se seu maior prazer. Só mesmo a figura de Daniel para mudar essa realidade que, sentado à mesa em frente a de Helô, era visto por ela como que num porta-retrato. O conhecia bem e de longe admirava, sonhava com seus beijos e seus abraços, conhecia suas preferências e sabia o quanto eram parecidos. Tanta semelhança os tornaria um casal diferente - românticos à moda antiga.

Os dias passavam. E a notícia do novo emprego de Heloísa corria. Não demorou muito para que chegasse aos ouvidos de seu ex-namorado, Pedro que, feliz com a história, resolveu procurar Helô.

Pedro foi o primeiro amor de Heloísa, e por muito tempo ela acreditou que seria o único. Os dois se conheceram em uma viagem, ela que na época tinha 16 anos, se apaixonou perdidamente pelo rapaz 11 anos mais velho. O romance durou apenas um ano e terminou de maneira trágica. Durante sete anos, se viram duas vezes, mas sem trocar qualquer palavra. Heloísa viveu outras histórias, mas o fantasma que assombrava sua alma não a deixava esquecer o cheiro, o gosto de Pedro. Até o dia em que o destino os uniu outra vez. Quatro meses depois, o fim. Helô havia dado um basta. Mas não sabia ao certo o que que sentimento cultivava em seu coração. Agora, aquele que significou a melhor e a pior coisa em sua vida estava de volta e convencido de que iria reconquistá-la.

Término do expediente, o celular de Helô toca, é Pedro que, já à espera do outro lado da rua para uma conversa. Ela desce do 4° andar pelas escadas, saí do prédio e se aproxima.

 

Continua quarta-feira que vem...

(TODA QUARTA-FEIRA UMA NOVA IDÉIA AQUI NO VARAL)



Escrito por Marcela Fonseca às 22h49
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*A ENTREVISTA

Segunda-feira o telefone celular de Heloísa tocou. A editora responsável pela publicação de sua revista favorita, onde desde criança sonhou um dia trabalhar, lhe telefonou para marcar uma entrevista de emprego. Helô, jornalista desempregada há um ano e dez meses, se encheu de felicidade. A moça que sobrevivia entre um freela e outro, entre um calote e outro, havia reenviado mais de cem currículos dias antes.

Sem conseguir dormir a candidata escreveu em seu diário virtual até às 4h da madrugada quando deitou-se para dormir, ansiosa pela chegada da manhã seguinte. Levantou-se por volta das 9h, tomou uma ducha morna e demorada, vestiu-se com uma roupa leve, sentou-se à mesa e tomou o café preparado por sua avó materna, alimentou-se bem como de costume e telefonou para sua melhor amiga, queria ouvir dela um 'boa sorte'. Seu primeiro compromisso aconteceu às 10h da manhã daquele que seria um dia muito especial, acompanhou a vovó Mercedes no supermercado, chegou em casa, almoçou e calculou seus passos até o local da entrevista, tomou então outro banho, dessa vez vestiu-se como manda o figurino, faltando uma hora para o encontro saiu. O bate-papo com Bárbara, chefe de reportagem, estava agendado para às 14h.

O percurso não era longo e pelo horário não seria demorado. Em meia hora chegaria ao prédio da editora. No bolso o companheiro fiel, seu iPod, entre as favoristas uma regravação repetia, repetia e repetia, 'Dancing With Myself', na versão da banda francesa Nouvelle Vague. Enquanto ouvia o som de sua mais nova paixão musical viajava e observava rostos, gestos, jeitos, prestava atenção nas relações humanas e situações cotidianas das mais variadas dentro e fora do coletivo.

O encontro com Bárbara foi decisivo. Trataram de assuntos como sociedade, moda, música, cultura, experiências e aspirações profissionais. Se entenderam num piscar de olhos. Sorte de Helô, que conquistou a vaga. Ao sair da sala de sua chefe, por um minuto e só por um minuto Heloísa viu Daniel, a quem teve a chance de ser apresentada, na verdade já o conhecia de um encontro súbito, haviam também trocado e-mails recentemente, mas ele sequer imaginava que a moça com quem um dia havia conversado de maneira desinteressada estava diante de seus olhos.

Contente com a novidade Heloísa saiu da empresa à espera do dia seguinte. A volta para casa parecia não ter fim. Por volta das 18h a cidade estava o caos, furiosa com seus moradores, o mesmo trajeto demorou três vezes mais. Heloísa só pensava em trabalhar e, é claro, em Daniel.

*Continua quarta-feira da semana que vem...

(TODA QUARTA-FEIRA UMA NOVA IDÉIA AQUI NO VARAL)



Escrito por Marcela Fonseca às 21h18
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FERNANDO PESSOA

Essa semana o Varal recebe uma visita ilustre.

Fernando Pessoa, poeta português é quem dá as caras por aqui!!!

                  Isto

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

                  Fernando Pessoa

 

(TODA QUARTA-FEIRA UMA NOVA IDÉIA AQUI NO VARAL)




Escrito por Marcela Fonseca às 16h01
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SÓ POR HOJE

“Que dias há que n'alma me tem posto

Um não sei o que

Que nasce não sei onde

Vem não sei como

E dói não sei porquê”. (Camões)

                                

Talvez eu saiba o que me inquieta o coração

Talvez eu sobreviva, ainda que sinta dor.

Só por hoje quero ficar só

Mergulhada na minha própria ignorância

Embreagada de solidão

Revelando o vazio e a escuridão da minha alma.

Eu, que ouço a voz que leva para longe a minha paz

Ainda perdida em meus passos

Sinto-me fugir de mim mesma

Recorro aos meus pensamentos

Hoje, só por hoje, não quero mais ser quem eu sou.

(TODA QUARTA-FEIRA UMA NOVA IDÉIA AQUI NO VARAL)



Escrito por Marcela Fonseca às 18h43
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BABADOS & FUXICOS

Jornalista, escritora, apresentadora e atriz, Marcela Fonseca é uma das celebridades mais completas da atualidade. Protagonista de sua própria vida, Marcela vive um romance com o ator britânico Joseph Fiennes, estrela dos filmes Elizabeth e Shakespeare in Love, ambos de 1998. Recentemente flagrada por um paparazzi sem o namorado, colegas da moça afirmam que chegou ao fim o conto de fadas.

Esbanjando beleza e alegria, Marcela Fonseca, Priscila Gil e Elaine Galileu foram vistas se divertindo no último sábado (01/09), no Beach Park, maior parque aquático da América Latina, localizado em Fortaleza, no Ceará. Queridas entre o público as famosas distribuíram autógrafos para os fãs, com a maior disponibilidade e simpatia.

Dias depois, na noite de segunda-feira (03/09), Marcela ainda companhada das amigas Priscila e Elaine, saiu para dançar e saborear as delícias da cozinha brasileira. O local escolhido foi o bar e restaurante Frigideira Carioca, no Leblon, Rio de Janeiro. O trio de morenas engatou um animado papo e atraiu a atenção da clientela, que pouco depois viu a mesa repleta de outras celebridades.

A notícia ganhou as páginas dos principais tablóides ingleses. O que causou a especulação de veículos de comunicação nacionais e internacionais. Rita de Cássia Rosa e Prata, assessora de imprensa de Marcela afirma que o namoro continua firme. Que o casal planeja viajar juntos pelo nordeste do Brasil ainda este ano. E que Marcela e Fiennes, mesmo de longe, vivem o verdadeiro amor. Para 2008, a jornalista e o ator pensam comprar uma casa no Ceará, casar e ter filhos, completa Rita de Cássia. 

 

(TODA QUARTA-FEIRA UMA NOVA IDÉIA AQUI NO VARAL)



Escrito por Marcela Fonseca às 23h31
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MUITAS COISAS SOBRE MIM...

Já é do conhecimento de vocês que todas as quartar-feiras publico uma IDÉIA nova em meu VARAL, mas ontem foi um dia difícil e de muito trabalho, peço desculpas. Hoje aproveito pra atender ao pedido do amigo A.Gil. Para essa semana procurava entre as minhas anotações uma história para desenvolver. Sofro de insônia, por isso, enquanto não durmo penso em situações das quais tento narrar aqui. Mas aceitei prontamente o desafio de contar sete coisas sobre mim... Confesso que não curto muito correntes e/ou brincadeiras em e-mails, orkuts, ou mesmo, blogs, sou um tanto devagar para essas coisas... Mas quero tentar... Vamos lá:


Sete.

Nome: Marcela

Apelidos: Má. Cela. Nenha. Tia Lafela.

Data de Nascimento: 12/04/1982

Local: São Paulo (SP)

Signo: Áries


Seis.

É verdade. Sou chorona, sim! Sempre choro assistindo a filmes e finais e também inícios de novela. Choro vendo até entrevistas ou o noticiário na TV. Em 1994, vi pela 1° vez o Rei Leão, chorei muito. Dez anos mais tarde e mais velha, chorei outra vez. Taí um filme que não posso sequer ouvir o tocar dos tambores, o Hakuna Matata!


Cinco.

Conheci minha amiga-irmã Silene nos tempos do Fã-Clube Metal Contra as Nuvens/Legião Urbana. (1993). Tive o prazer de conhecer pessoalmente Marcelo Bonfá e o Dado Vila-Lobos. Mas nunca tive coragem de falar, mesmo que por telefone, com Renato Russo. Foi uma época e tanto!


Quatro.

Amo a Deus. Amo minha família. Amo meus amigos. Amo meus afilhados. Amo minha profissão. Amo escrever. Amo ler. Adoro conversar. Adoro ver filmes. Adoro ouvir a mesma música várias vezes. Adoro atender meu celular. Adoro parques. Adoro pique-nique. Adoro cantar. Não vivo sem café. Não sei cozinhar. Não sei dançar. Às vezes não sei dizer não!


Três.

Não gosto de macarronada, detesto camarão e odeio maracujá!


Dois.

Livro: Feliz Ano Velho (Marcelo Rubens Paiva), outro livro, O Amor Nos Tempos de Cólera (Gabriel García Márquez);

Filme: Impossível citar um só...

Música: Depende do dia e da ocasião... Mas, com certeza o Rei Roberto Carlos, Chico Science e Nazão Zumbi, Los Hermanos, Chico Buarque...


Um.

Senta que lá vem história - Sempre soube que minha vinda ao mundo aconteceu porque era um sonho da minha avó Laurinda ver minha mãe, caçula de seis filhos, totalmente grávida. Em 1981, meus pais já com um casal de filhos, Marcos e Márcia, deram a tão esperada notícia. Minha mãe tornou-se em poucos meses a grávida mais linda de todas. Em seu ventre carregava aquela que seria a coisa mais fofa da vovó. Ainda no início da gestação a briga pela escolha da madrinha e do nome. Ficou acertado que se fosse um menino Maristela batizaria e Maria escolheria o nome. No dia 12 de abril de 1982, nasceu uma menina, então seguindo o trato, Maria batizou Marcela, nome escolhido por Maristela. Todos estavam ansiosos pela chegada do bebê. Para comemorar e receber mãe e filha, meu pai promoveu uma festa com direito a queima de fogos. Marcelinha não sabia, mas desde cedo cativava todos ao seu redor. Cresceu cercada de mimos e não mudou muito de lá pra cá. Seis anos depois da minha chegada nasceu minha irmã, também amada, Mariana. Perdi o meu reinado de caçula, mas não a majestade. O estranho foi ninguém soltar fogos, por algum motivo não foi possível festejar! (rsrs)

 

(TODA QUARTA-FEIRA UMA NOVA IDÉIA AQUI NO VARAL)



Escrito por Marcela Fonseca às 13h22
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PRISONNIER DE LA MODE

Edward Lee, era assim que Edmundo Fereira Silva Júnior, de 26 anos gostava de ser chamado. O rapaz que cresceu sem os cuidados da mãe, falecida quando ainda era menino, sonhava ser estilista de vestidos de noiva. Desde garoto demostrava aptidão e interesse pela moda, rabiscando em seus cadernos escolares. Mas por determinação de seu pai, que não aceitava sua escolha profissional, aceitou engavetar seus desenhos.

Seu primeiro emprego foi em um brechó da Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, onde trabalhou por quatro anos como vendedor, até conhecer o Senhor Ronald, estilista falido, dono de um antiquário locado no mesmo bairro. Júnior parecia feliz. Mas o tempo, o silêncio e a escuridão de seu quarto eram as únicas testemunhas de sua frustação.

Sem coragem para enfrentar seu pai e arriscar tudo, pediu ao Senhor Ronald um novo emprego. Prontamente atendido, não demorou muito para se tornar admirador fervoroso de antiguidades. Conhecia bem os clientes e tinha sempre bons argumentos, era um sucesso nas vendas.

Mas, em uma fatídica manhã de sexta-feira, 'Edward Lee' colocaria tudo a perder, ou não. Detido em flagrante em um cemitério de Pinheiros furtando vasos, o rapaz foi levado para a delegacia, onde confessou que havia visto os objetos uma semana antes, durante uma visita que teria feito a seu pai, agente funerário.

Funcionários do cemitério testemunharam sua ação. Abordado pelo administrador do local, Júnior afirmou que o túmulo de onde tirou os vasos era de sua mãe. Mas não foi confirmado o suposto parentesco. A história ganhou as páginas de jornais e destaque nos noticiários da TV.

Julgado, o vendedor foi condenado há dois anos de prisão e cumpre pena no interior do Estado há um ano. Momento esse que tem lhe rendindo projetos e idéias.  Após trocar inúmeras cartas com Berenice, irmã de um dos seus companheiros de cela, namoro que já dura dez meses, Júnior e Berê resolveram preparar o casamento. Nos planos estão os filhos, um casal, Joseph e Sophia.

'Edward Lee', que durante toda sua vida sonhou ser um estilista reconhecido nas mais chiques passarelas do mundo, oficicializou o matrimônio no último fim de semana no local onde está preso. Feliz comentou com seus colegas, “estou entusiasmado e muito feliz, afinal, casar em presídio também virou moda”.

 

(TODA QUARTA-FEIRA UMA NOVA IDÉIA AQUI NO VARAL)

 



Escrito por Marcela Fonseca às 14h44
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CLICHÊS DO MEU COTIDIANO

Inevitavelmente tudo se repete, e por incrível que pareça, a velocidade dos fatos nos torna impacientes diante dos mesmos acontecimentos. Talvez vítimas fiéis e desesperadas dos clichês do cotidiano. Frases prontas para impressionar. Imagem perfeita de algo que um dia sucedeu. Olho para lá. Não há mais o que dizer. Hoje, só pleonasmos, portanto, tudo aquilo que já se ouviu. A vida é, o amor é, esse texto é clichê.

 

(TODA QUARTA-FEIRA UMA NOVA IDÉIA AQUI NO VARAL)




Escrito por Marcela Fonseca às 20h03
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O TRIVIAL DO CORPO

Jorge sempre teve uma vida de cão. Aos quatro anos foi abandonado pela mãe e de seu pai nunca soube sequer o primeiro nome.
  
Criado por uma vizinha, a quem considerava tia, cresceu num prédio fétido e entregue às ruinas na Avenida Nove de Julho. Dividia o quarto com outras seis crianças, era a menor delas, tinha direito à uma única refeição por dia e seu corpo franzino era alvo de piadas e pancadas.
 
Aos treze anos deixou o farol onde vendia balas para seguir outro rumo. Uma oportunidade lhe foi dada na padaria da esquina da avenida onde morava, era ele quem entregava as dezenas de quentinhas vendidas no horário do almoço para funcionários de empresas da região. Três anos depois, uma nova chance, tornou-se office-boy de uma multinacional, locada na Praça da República. Tímido e extremamente reservado, mas competente e responsável, trabalhou duro para chegar à tão sonhada cadeira de diretor.
 
Sério demais, Jorge não demonstrava sentimentos, não tinha amigos,  exceto o companheiro Tonhão. Seu divertimento era um bar na badalada Rua Augusta. Lá  era possível beber, observar pessoas e sair sem ser notado. Foi numa noite qualquer nesse mesmo bar que Jorge viu pela primeira vez Dandara, garota despachada, cheia de medos e manias.
 
Dandara não entrava em elevadores por temer possíveis quedas. Tinha variações de humor, detestava maracujá e o cheiro da dupla café com leita lhe causava naúseas. Detestava peixe, certa vez viu sua avó engasgar com espinhos durante um almoço de Páscoa e não chupava balas Kids pelo mesmo motivo. Mas o que fazia a moça tremer eram os cães. Inúmeras vezes deu a volta no quarteirão onde morava, ou simplesmente mudou todo seu trajeto para não cruzar com um. Se apavorava diante do latido do animal independente do tamanho ou espécie.
 
Mas a moça sempre assumiu suas esquisitices. Nunca se envergonhou disso ou daquilo. Dizia sempre, o medo é o trivial do corpo, depois de ler a frase num livro de Graciliano Ramos.
 
Jorge se apaixonou pela garota. Se sentia feliz, completo com a moça por perto. Após o primeiro encontro outros vieram a seguir. Foi por e-mail que ele a pediu em casamento. A resposta não poderia ser diferente. Dandara preparou um romântico e apimentado jantar mexicano, regado de tequila e marguerita. Não deu outra, juras de amor, canções apaixonantes, luzes de velas e a idéia de dividirem o apartamento onde ela vivia sozinha. Na manhã do dia seguinte chegavam as primeiras coisas do rapaz.
 
Dez para às duas da tarde. Dandara acorda, ainda sonolenta calça a pantufa, bocejando vai até a cozinha, vê a porta entreaberta, espia pela fresta, vê Tonhão na área de serviço. Desesperada chama o sindico que o leva para a portaria do prédio.
 
Incorformado, Jorge se viu diante da escolha, Dandara ou Tonhão. Nunca havia confessado, mas, seu único medo era ser abandonado outra vez por uma alma feminina. Sabia das loucuras da moça, de sua personalidade nada estável, por isso, decidiu voltar pra casa com seu fiel amigo Tonhão, um pequeno cão Banseji, de pêlos negros e curtos, raça rara, originário da África, que embora não fosse mudo, sequer latia. Sentiu-se mais seguro assim.


*Colaboração Mariana Fonseca, 19 anos, produtora de eventos, minha irmã!

 

(TODA QUARTA-FEIRA UMA NOVA IDÉIA AQUI NO VARAL)



Escrito por Marcela Fonseca às 22h24
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SILÊNCIO...

Quando se conhece bem de perto o amor incondicional, a relação de cumplicidade

Quando há quem o ensine sobre valores morais e limites

Quando se aprende sobre respeito respeitando e sendo respeitado, não se quer outra coisa.

É feliz quem pode partilhar carinho, afeto, disciplina, o alerta, a atenção

Com alguém tão capaz de renunciar, de se sacrificar, se preocupar, de não dormir

Brigar e mesmo assim, com uma xícara bem quentinha de café na mão, te esperar e sorrir.

Feliz de quem se orgulha daquele que causa admiração,

Que propõe a dedicar seu tempo de maneira responsável, leal, fiel.

Meu herói é assim...

Na lembrança, o sorriso, o beijo, o abraço e o aperto de mão

Hoje, saudade da ausência mais presente

O olhar mais indelével

Silêncio.


Vagarosamente seu olhar busca o meu

Olhos que expressam mais do que qualquer palavra

Então, um sorriso. E outro também.

O último olhar, parece de adeus

E outra vez o silêncio que fala em voz alta: AMO VOCÊ!

 

(TODA QUARTA-FEIRA UMA NOVA IDÉIA AQUI NO VARAL)




Escrito por Marcela Fonseca Mazza às 21h04
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[...]

LUTO EM RESPEITO À MEMÓRIA DO MEU PAI!

AGRADEÇO O CARINHO E A ORAÇÃO DE TODOS.

ABRAÇO, MARCELA FONSECA (SP.07/07/07)



Escrito por Marcela Fonseca Mazza às 11h20
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COMUNICADO

Caros amigos,

Fica suspensa por tempo indeterminado outras publicações aqui no VARAL. Meu pai está hospitalizado e eu não tenho tempo nem cabeça para escrever. Assim que voltar a postar novas IDÉIAS os comunico. Espero que o mais breve possível. Conto com a compreensão de todos!

Abraços carinhosos,

Marcela Fonseca



Escrito por Marcela Fonseca Mazza às 11h42
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MIL NOVECENTOS E NOVENTA E QUATRO

Já com as pernas trêmulas pude ver uma luz, tentei alcança-la, de repente, a escuridão. Desfaleci. Alguém segurou em seus braços meu corpo frágil. Não era a primeira vez que acontecia.

Tinha uma série de sintomas e a preocupação pairava no ar. Sede excessiva, fome demasiada, em menos de um mês a perda de mais de dez quilos e desmaios constantes. Estava evidente, mas os exames necessários iriam comprovar.

No dia 13 de junho de 1994, pela manhã, o diagnóstico: Diabetes Mellitus, tipo 1. A notícia caiu como uma bomba e chegou cercada de cuidados e muita informação, sendo as duas piores o fato de, até o presente momento não haver qualquer expectativa de cura, e a obrigatoriedade de injeções diárias de insulina. Aos 12 anos enfrentava o maior drama da minha vida. Difícil acreditar, aceitar, entender...

Parecia até castigo por ter fugido do posto de vacinação, aos cinco anos, por temer agulhas. Capturada, a surpresa, a vacina não passava de uma simples gotinha. Agora era diferente, estava mesmo condenada a viver entre picos e picadas.

Os médicos desconheciam a explicação pro meu caso. A Diabetes, normalmente hereditária, não fazia parte do histórico dos meus familiares. Na época desenhos me ajudavam a compreender o que havia de errado com meu pancrêas. Falavam até de um período de lua-de-mel, situação que ocorre em alguns casos em que a insulina volta a ser produzida e a medicação pode até ser suspensa temporariamente.

Engraçado é pensar que hoje, 13 anos depois, não tenho muitas lembranças da minha vida sem ela. Recordo-me apenas de fatos isolados como, a festa de aniversário de cinco anos com bolo e doces, ou o dia em que ganhei o Au Au, ursinho de pelúcia que ainda tenho, acompanhado de muito chocolate. Ou ainda, a última vez em que vi meu padrinho amado com os bolsos cheios de balas, antes de sua precoce partida. Não sei dizer como é a vida sem ela, mesmo porque minha memória não me permite.

Passado todo esse tempo admito, não sou o exemplo de paciente que qualquer médico gostaria de ter. Também não lamento mais. Não sou diferente, apenas tenho minhas restrições.

Embora a tão sonhada lua-de-mel nunca tenha acontecido, há tempos a Diabetes deixou de ser a vilã dessa história, nossa únião é bastante harmoniosa.

Especialistas já falam em cura, quem sabe, antes de 13 de junho de 2020!

 

Saiba mais:

Associação Nacional de Assistência ao Diabético

Associação Brasileira de Diabetes

Associação do Diabetes Juvenil

 

(TODA QUARTA-FEIRA UMA NOVA IDÉIA AQUI NO VARAL)



Escrito por Marcela Fonseca Mazza às 12h15
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ALL STAR

O tinha como um amuleto, acreditava tanto, que não se atrevia sair de casa para encontrá-la sem antes calçar seu par favorito. Em seu quarto havia uma coleção deles, mas era o  preto de cano alto, seu amigo inseparável, usado apenas em ocasiões especiais. Encontrar sua amada, Violante, por exemplo, era uma dessas situações.

Tímido, o rapaz de 23 anos e meio, formado em desenho industrial, parecia passar por uma maré de azar. Desempregado desde sua formatura, fazia parte das estatísticas, estava entre os 46% da população desempregada do país. Mas isso não o desanimava, estava apaixonado e era esse seu maior interesse.

Diariamente, da janela de seu quarto, observava Violante. Garçonete, a moça trabalhava num café em frente ao prédio onde Sílvio morava. Ao vê-la sair, todos os dias, por volta das 18h, descia as escadas acelerado para lhe fazer companhia até sua casa, cinco quarteirões dali.

Inteligente, o rapaz falava de vários assuntos, mas nunca de sua verdadeira intenção. Até o dia em que se encheu de força e a convidou para sair. Ao ouvir um sim, se sentiu flutuar em seu All Star, no dia seguinte teria uma chance de se declarar.

Naquela noite sequer pregou os olhos imaginando como seria o tão esperado encontro. Na frente do espelho encenava diálogos entre ele e Violante. Formulava perguntas e respostas. Estava ansioso.

Ao amanhecer, ainda sonolento, correu para atender o celular. Do outro lado da linha uma voz simpática marcou uma entrevista de emprego. Sentia que as coisas estavam mudando. Via tudo aquilo como um "sinal". Ligou pra Violante para confirmar, estaria na porta principal do shopping às 19 horas. O programa seria um sorvete e um cineminha, o que seu dinheiro podia pagar.

A entrevista foi marcada para às 16 horas, sabia que teria tempo. Só não sabia ao certo o que usar. Vestiu-se com sua melhor roupa e foi correndo pegar seu All Star. Sua mãe interrompeu, lhe entregou um par de sapatos que havia sido de seu pai. Hesitou, mas acabou por concordar. Tinha em mente voltar pra casa para se trocar. Uma entrevista de emprego pedia algo mais arrumadinho.

Apressado, passando pelo Viaduto do Chá, uma cigana que o seguia, tentou ler sua sorte, pegou sua mão, viu algo, mas não disse, ele também não daria importância. Chegou na porta da empresa onde deveria se apresentar 15 minutos antes da hora marcada. Esperou, esperou, finalmente foi chamado.

Mesmo nervoso, sabia que havia se saído bem diante daquele que, segundo ele, seria seu patrão, estava preparado para o cargo, tinha um bom currículo e  era um bom moço.

Já atrasado para o encontro com Violante, decidiu seguir pro local combinado, não se deu conta que não tinha em seus pés seu All Star com "poderes mágicos". Passava das 20 horas quando olhou pela décima vez para os ponteiros de seu relógio. Sílvio esperou, esperou, esperou. Sua amada nunca apareceu.

No dia seguinte, dois novos e-mails em sua caixa de mensagens lhe traziam notícias. Alguém lhe contava que Violante havia ido morar com um de seus fregueses em outra cidade.

A outra mensagem era uma resposta da empresa com os seguintes dizeres:
Prezado Sílvio,
Agradecemos o seu interesse em participar de nosso processo seletivo. Infelizmente, o senhor não se encaixa no perfil desejado. Guardaremos seu currículo, caso haja necessidade entraremos em contato.
Atenciosamente,
Empresa X

Tempos depois, soube também que, a vaga foi preenchida por um estagiário, para quem pagariam a metade do valor do que seria seu salário, indicado pelo diretor administrativo.

Deitou-se em sua cama e olhando para o teto começou cantarolar: "seu All Star azul combina com o meu preto de cano alto".

Demorou, mas um dia finalmente entendeu. Resolveu ser direito e conseguiu namorar. Conheceu alguém que o indicou, o que lhe garantiu um bom emprego.

 

(TODA QUARTA-FEIRA UMA IDÉIA NOVA AQUI NO VARAL)



Escrito por Marcela Fonseca Mazza às 12h15
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AMORES LÍQUIDOS NA PÓS-MODERNIDADE

Há exatamente um ano comemorava com uma amiga uma decisão sua. Cláudia aceitou se casar depois de dois meses de namoro. Me convidou para ser sua madrinha, o que me daria o privilégio de acompanhar tudo bem de perto, era minha primeira vez dentro de uma igreja. Para a ocasião, escolheu a mais tradicional das cerimônias. Embora alguns parentes e amigos considerassem tudo muito fora de moda, entrar e seguir por um tapete vermelho coberto por rosas, vestida de noiva para ela era indispensável. Sem abrir mão de seu sonho, casou-se como mandava o figurino, esbanjando romantismo.

Duas semanas antes, havia sido testemunha de um outro enlace matrimonial. Rafaela, amiga de infância, escolheu algo mais simples. Optou por uma rápida passada no cartório, mas ainda assim, fez questão de usar vestido de noiva branco e um arranjo de flores naturais nos cabelos.

Maio, mês das noivas, corações apaixonados, vestidos, bem-casados. E como não podia deixar ser, um novo convite, dessa vez de Maria Valentina.

Antes, dúvidas e mais dúvidas, sem saber ao certo o que usar, pensando em impressionar escolheu um vestido, presente de Mauro, seu noivo. Mas com o frio que fazia na capital paulista, mudou de idéia, vestiu-se com algo feminino, porém discreto, exceto pelo decote.

Seguimos juntas acompanhadas de outras duas amigas. Contente, Maria Valentina desejava chegar na hora marcada. Em vão. Roberto parecia fazer questão do atraso. Era a minha primeira vez numa audiência de divórcio. Roberto ao nos encontrar sequer nos cumprimentou, fez cara de poucos amigos. Minha amiga queria acabar logo com isso, mas precisávamos aguardar.

Sentada num banco, no cantinho de uma pequena e escura sala, conversamos. Separados há quatro anos, Maria Valentina comentava sobre seu ex-marido, Roberto. Parecia inevitável não falar da aparência do rapaz, que, preferiu ficar em outra área, acompanhado também de sua testemunha.

No corredor um rosto conhecido: É Ana Paula; amiga que não via há anos, estudamos juntas, mas desde seu casamento não sabia de seu paradeiro. Ainda de longe pude vê-la entrar na sala do juiz. Vinte minutos depois Ana Paula estava de volta com o rosto vermelho e mergulhado em lágrimas, desceu as escadas sem ao menos olhar pra trás.

Valentina ainda esperava sua vez. Ao meu lado, reparei uma moça de cabelos loiros, vestida toda de preto, sorriso no canto da boca, se levantar. Era chegada a sua hora. Ao avistar seu ex, sinalizou, disse à advogada que esperassem ele entrar. Mais vintes minutos e parecia estar tudo acabado, trocaram um aperto de mão e tchau. Pouco antes ouvimos o comentário de alguém que esperava:
- Para casar foi tudo tão rápido. Para separar vou ter que esperar horrores?

Finalmente é a vez de Maria Valentina. Ela e Beto entraram juntos na sala. Pelo vidro da porta pude ver Valentina falar e falar e falar. A situação parecia amigável. A juíza pediu que entrasse a primeira testemunha, mas não era eu. Pouco depois a moça saiu. Entrou então a segunda e novamente a primeira que, dessa vez, precisava assinar. Minutos depois todos estavam de volta. Para a nossa surpresa não foi necessário que eu testemunhasse.

Pensando evitar novos olhares, decidimos descer os dois andares pela escada. Foi a última vez que vi Roberto. Já Maria Valentina, amiga querida, está de casamento marcado com Mauro, planeja festejar sua nova união em agosto trajando um vestido de cor pérola, tecido crepe georgete e bordado em pedrarias. Sem titubear aceitei ser sua madrinha.

 

(TODA QUARTA-FEIRA UMA IDÉIA NOVA AQUI NO VARAL)



Escrito por Marcela Fonseca Mazza às 15h37
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