MIL NOVECENTOS E NOVENTA E QUATRO
Já com as pernas trêmulas pude ver uma luz, tentei alcança-la, de repente, a escuridão. Desfaleci. Alguém segurou em seus braços meu corpo frágil. Não era a primeira vez que acontecia.
Tinha uma série de sintomas e a preocupação pairava no ar. Sede excessiva, fome demasiada, em menos de um mês a perda de mais de dez quilos e desmaios constantes. Estava evidente, mas os exames necessários iriam comprovar.
No dia 13 de junho de 1994, pela manhã, o diagnóstico: Diabetes Mellitus, tipo 1. A notícia caiu como uma bomba e chegou cercada de cuidados e muita informação, sendo as duas piores o fato de, até o presente momento não haver qualquer expectativa de cura, e a obrigatoriedade de injeções diárias de insulina. Aos 12 anos enfrentava o maior drama da minha vida. Difícil acreditar, aceitar, entender...
Parecia até castigo por ter fugido do posto de vacinação, aos cinco anos, por temer agulhas. Capturada, a surpresa, a vacina não passava de uma simples gotinha. Agora era diferente, estava mesmo condenada a viver entre picos e picadas.
Os médicos desconheciam a explicação pro meu caso. A Diabetes, normalmente hereditária, não fazia parte do histórico dos meus familiares. Na época desenhos me ajudavam a compreender o que havia de errado com meu pancrêas. Falavam até de um período de lua-de-mel, situação que ocorre em alguns casos em que a insulina volta a ser produzida e a medicação pode até ser suspensa temporariamente.
Engraçado é pensar que hoje, 13 anos depois, não tenho muitas lembranças da minha vida sem ela. Recordo-me apenas de fatos isolados como, a festa de aniversário de cinco anos com bolo e doces, ou o dia em que ganhei o Au Au, ursinho de pelúcia que ainda tenho, acompanhado de muito chocolate. Ou ainda, a última vez em que vi meu padrinho amado com os bolsos cheios de balas, antes de sua precoce partida. Não sei dizer como é a vida sem ela, mesmo porque minha memória não me permite.
Passado todo esse tempo admito, não sou o exemplo de paciente que qualquer médico gostaria de ter. Também não lamento mais. Não sou diferente, apenas tenho minhas restrições.
Embora a tão sonhada lua-de-mel nunca tenha acontecido, há tempos a Diabetes deixou de ser a vilã dessa história, nossa únião é bastante harmoniosa.
Especialistas já falam em cura, quem sabe, antes de 13 de junho de 2020!
Saiba mais:
Associação Nacional de Assistência ao Diabético
Associação Brasileira de Diabetes
Associação do Diabetes Juvenil
(TODA QUARTA-FEIRA UMA NOVA IDÉIA AQUI NO VARAL)
Escrito por Marcela Fonseca Mazza às 12h15
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