DE REPENTE
“Um minuto para o fim do mundo / Toda a minha vida em sessenta segundos / Uma volta no ponteiro do relógio pra viver...”. De repente um tiro... Leila olha a sua volta. Sem entender nada, ela vê sangue em suas mãos. Paulo corre. Momentos antes Leila entra na loja de conveniência em busca de um café. No instante em que passa pela porta a jovem vê Paulo. Os olhares se cruzam. - Aquele rosto. Aquele rosto. Leila tenta se lembrar. O rosto que lhe pareceu familiar traz a memória dias de sua infância. - Claro. Paulinho. Ela se lembra do rapaz com quem estudou até a 7º série do ensino fundamental em um colégio particular da região da avenida Paulista. Paulinho era um garoto tímido. Tinha poucos amigos. Era apaixonado pela melhor amiga de Leila. Ela torcia para que os dois ficassem juntos, mas sua amiga nunca lhe daria uma chance. Leila, companhia agradável e engraçada, vivia cercada de amigos. Filha de um famoso empresário do ramo da construção civil e de uma arquiteta renomada, embora tivesse boa situação financeira, não se importava com o luxo e estava sempre em busca de ajudar os outros. Paulo parecia o mesmo menino franzino dos tempos de escola. Apressado ele não se deu conta que aquela era a única pessoa que anos atrás tinha lhe dado a pouca atenção que recebeu durante todos aqueles anos. Leila pediu o café. Paulo estava agitado, andava de um lado para o outro dentro da loja. Ela então se acomodou para tomar seu capuccino. Em seu iPod tocava Último Romance, da banda Los Hermanos, a favorita de Leila. Paulo continuava agitado. A moça se levantou lentamente, pagou pelo café e seguiu em direção à porta. No iPod toca CPM 22. Leila puxa a porta e sai. Nesse instante, dois homens entram na loja e um aguarda do lado de fora. Paulo anuncia o assalto. O desespero toma conta de clientes e funcionários. Leila já está perto de seu carro. A sirene indica que a polícia já está à caminho. Leila, com sua mão direita, abre a porta do carro. No iPod a música toca alto. “Um minuto para o fim do mundo / Toda a minha vida em sessenta segundos / Uma volta no ponteiro do relógio pra viver...”. Leila se assusta, antes, um tiro... Leila olha a sua volta. Sem entender nada, ela vê sangue em suas mãos. Paulo corre. Ele e os outros três homens são perseguidos pela polícia. Leila cai. Já é tarde demais. Leila, 19 anos, morre, cedo demais.
Escrito por Marcela Fonseca às 19h25
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|